Quatro Jovens morrem atropelados por caminhonete após acidente com moto em São José


Quatro jovens morreram atropelados na madrugada desta quinta-feira (7) na rodovia Geraldo Scavone (SP-66), que liga Jacareí a São José dos Campos. Uma das vítimas era um motociclista, que caiu do veículo após uma colisão. Ao ser socorrido por três homens que passavam a pé pela via, uma caminhonete atropelou os quatro – o motociclista e dois dos homens morreram no local. O quarto pedestre morreu no hospital nesta manhã. O motorista fugiu sem prestar socorro e ainda não foi identificado.

De acordo com a Polícia Rodoviária Estadual, o acidente foi por volta das 2h30, após um carro colidir levemente com uma moto. Apesar do motorista ter parado, três pessoas que passavam pelo local prestaram socorro ao motociclista e o rodearam, como forma de proteção, para aguardar a chegada do resgate.

Enquanto esperavam, uma picape passou pela rodovia em alta velocidade e atropelou os três pedestres, além do motociclista já caído.

Dois pedestres e o motociclista, de 18, 22 e 29 anos respectivamente, morreram no local. A outra vítima foi socorrida pelos Bombeiros em estado grave e levada para o Pronto-Socorro da Vila Industrial. Ele também morreu nesta manhã.

O motorista do carro envolvido na primeira colisão com o motociclista compareceu à delegacia e prestou depoimento. Ele contou que o motociclista avançou o sinal vermelho e por isso houve a colisão. Ele não sofreu ferimentos.

Vítimas

Uma das vítimas do acidente é o torcedor do São José Esporte Clube, Guilherme Augusto Oliveira, de 29 anos, que ficou conhecido por pedir a namorada em casamento durante um jogo no estádio do Martins Pereira há dois meses.

Além dele, as outras vítimas são Bianca Magalhães Pereira, de 18 anos; Moisés de Queirós Mathias, de 25 anos e Lucas Mario Carvalho Vieira, de 22 anos.

O assessor do time do São José , Davi Jehá, contou que conhece o Guilherme há dez anos. E que neste ano foi procurado por ele para ajudar com o pedido de casamento e que a vítima estava vivendo um momento muito feliz.

“Ele estava tão feliz naquele dia, foi o primeiro torcedor a pedir a namorada em casamento no estádio. É muito triste, parte do meu coração ficou partido. Ele era muito alegre, transmitia energia positiva, felicidade”, contou, emocionado.

Ele contou que além da felicidade do noivado, ele estava feliz que a vítima estreou como comentarista de futebol em um programa de esporte na última semana.

A diretoria do São José informou que lamenta a morte do torcedor e que se solidariza com a família.

Testemunhas

Uma testemunha do atropelamento que matou quatro jovens em São José dos Campos (SP) contou que a caminhonete seguia em alta velocidade e que a presença do carro só foi notada pelas vítimas quando já estava muito perto. Um grupo de mais de 10 pessoas aguardava o resgate de um motociclista acidentado quando um veículo avançou sobre o grupo. O motorista fugiu e ainda não foi localizado.

A testemunha Leonardo Batista, de 20 anos, uma das pessoas que aparecem correndo do carro no momento do acidente, disse que estava na casa da namorada quando escutou o barulho da batida entre uma moto e um carro. Ele foi ao local para tentar ajudar o motociclista caído e foi surpreendido pelo motorista em alta velocidade, que terminou atropelando quatro.

“Quando cheguei, o motociclista já estava caído, mas estava bem. Ficamos com ele aguardando o resgate. Foi quando eu vi o carro já bem próximo e gritei: ‘olha o carro!’. Não deu tempo de todo mundo fugir. O motorista nem tentou frear”, lamentou.

Leonardo contou ainda que não deu para ver quem dirigia o veículo, mas que o carro derrapou após atingir as vítimas e ainda passou por cima do canteiro central durante a fuga em alta velocidade.

“Três já morreram na hora, não tinha nada que a gente pudesse fazer. Tinha muita gente no local. Eu poderia ter morrido também. Estou muito abalado por quatro pessoas morrerem daquele jeito”, afirmou.

Leonardo acredita que o motorista, quando for detido, não terá argumentos para dizer, por exemplo, que não viu os pedestres na rua. “A gente estava embaixo da luz, na faixa de pedestre e não tinha neblina. As câmeras podem comprovar isso. Ele não teve a coragem de parar para ajudar, ainda tinha uma pessoa com vida, que faleceu horas depois”, afirmou.

Justiça

João Paulo Pereira, pai da vítima Bianca Magalhães, de 18 anos, cobra Justiça. Ele disse que a filha tinha ido a um encontro de motos com o namorado e que eles pararam na pista para socorrer o motociclista caído. Ela aparece sentada ao lado do motociclista no vídeo do momento do acidente.

“Eu só não quero que seja mais um caso impune. O motorista matou quatro pessoas, o mínimo que a gente quer é Justiça. O motorista não esboçou nenhuma tentativa de desviar, como se não tivesse ninguém, nada na frente. Pela velocidade que ele estava, ele assumiu o risco de matar, a via é 50 km/h, no mínimo ele estava a 100km/h”, afirmou.

O pai conta ainda que a filha estava em um momento muito feliz porque planejava o casamento. O namorado dela, que estava em pé no momento da aproximação do carro, conseguiu fugir antes do atropelamento.

Bianca Magalhães foi uma das vítimas do atropelamento em São José (Foto: João Paulo Pereira/Arquivo pessoal)

Bianca Magalhães foi uma das vítimas do atropelamento em São José (Foto: João Paulo Pereira/Arquivo pessoal)

Enterro

As vítimas foram enterradas com muita comoção na manhã desta sexta-feira (8). Guilherme Augusto Oliveira, de 28 anos, Moisés de Queirós Mathias, de 25 anos e Lucas Mario Carvalho Vieira, de 22 anos, foram enterrados no Cemitério Côlonia Paraíso, na zona sul de São José dos Campos.

Já Bianca Magalhães Pereira, de 18 anos, foi enterrada no Cemitério do Parque Santo Antônio, em Jacareí. Centenas de pessoas, entre familiares e amigos das vítimas, acompanharam os enterros que aconteceram entre as 8h e às 9h.

Empresa francesa causa polêmica ao oferecer software de espionagem para ‘descobrir se seu filho é gay’

Em sua página na internet, a companhia, Fireworld, sugeriu “pistas” que justificariam suspeitas dos pais sobre a homossexualidade do filho – como “ter piercings e gostar de cantoras mulheres” – e disse que o software poderia “hackear a conta de Facebook [do seu filho]” e observar se ele visitou sites voltados ao público gay.

Após ser denunciado por grupos LGBT, o texto foi retirado do ar pela empresa.

Uma mensagem de denúncia postada pela organização L’Amicale des Jeunes du Refuge foi retuitada pela secretária de Estado para a Igualdade da França, Marlène Schiappa, para quem o anúncio da Firewold demonstrou que a “homofobia e o sexismo têm raízes nos mesmo estereótipos de gênero. Vamos lutar contra eles juntos”.

No texto removido, a empresa defendia que a “família é fundamental. É por isso que a orientação sexual de suas crianças, diretamente responsáveis pela continuação de sua família, é muito importante para você”.

O artigo seguia listando pistas que poderiam levar os pais a suspeitar se seu filho seria gay – sem fazer menção à homossexualidade feminina.

De olho nas ‘pistas’

Entre as “pistas” de homossexualidade listadas pela empresa, estavam “ser cuidadoso com si mesmo”, ser mais interessado na leitura e no teatro do que no futebol, ser tímido quando criança, ter alguns tipos de piercings e gostar de cantoras mulheres e “divas”.

O texto então sugeria uma variedade de formas para confirmar as suspeitas, como “monitorar o uso do Facebook”, ver “se ele visitou fóruns de gays” ou “espionar suas mensagens privadas”.

Em resposta à organização L’Amicale des jeunes du Refuge, a Fireworld escreveu que “o artigo tinha o único objetivo de melhorar a otimização do site para ferramentas de busca (SEO na sigla em inglês) e nunca foi feito para ser lido por humanos”.

 “Lamentamos não termos refletido sobre as consequências deste tipo de conteúdo”, escreveu a empresa por e-mail. “Pedimos sinceras desculpas a todos aqueles que podem ter se sentido ofendidos por este conteúdo”, acrescentou.

Atividade ilegal

No entanto, a versão em inglês do site da Fireworld sugere uma série de cenários nos quais um consumidor em potencial poderia monitorar o computador de terceiros, incluindo “controlar o computador de seu filho adolescente”, checar “o que seus empregados estão fazendo” e “detectar a infidelidade em seu casamento ou na sua relação”.

A instalação de softwares de espionagem para o monitoramento de computadores de terceiros, sem o consentimento, é ilegal na França.

A Fireworld aponta que os clientes devem seguir normas legais no uso de seus produtos. No entanto, a empresa ressalta que “instalar [o produto] para assegurar que seus filhos não estão se colocando em situações de perigo na internet ou nas redes sociais se aproxima de ser algo legal”. O software, chamado Fireworld Controller, oferecido em versão gratuita e paga, permite o monitoramento à distância de “até 10 computadores diferentes”.

O jornal francês “Liberation” relata que vendedores de ferramentas de espionagem são normalmente mais sutis no anúncio de seus produtos, uma vez que a lei francesa não permite publicidade de atividades ilegais.

Atualmente, há uma série de produtos no mercado que oferecem aos pais o monitoramento do que os filhos estão fazendo online.

Garoto de 9 anos foi estuprado e esquartejado por professor e adolescentes

Kauan, de 9 anos, morreu durante estupro (Foto: Reprodução/ TV Morena)

Investigações da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul apontam que Kauan Andrade dos Santos, de 9 anos, morreu enquanto era estuprado por um professor, foi abusado também por adolescentes e esquartejado duas vezes. O menino desapareceu em 25 de junho. O professor, de 38 anos, nega o crime.

Segundo os delegados Paulo Sérgio Lauretto e Aline Sinot, os quatro adolescentes envolvidos no caso contaram a mesma versão várias vezes sobre e em ocasiões diferentes. Eles relataram o que aconteceu com o menino depois de semanas de investigação, quando tiveram a certeza de que o professor não seria solto facilmente.

Na versão deles à polícia, Kauan, o garoto de 14 anos que foi apreendido e mais dois adolescentes foram à casa do professor no dia 25 de junho. Lá, o homem pediu que a criança e o garoto ficassem e que os outros dois buscassem um quarto adolescente.

Kauan foi estuprado, morto e teve corpo esquartejado em Campo Grande, diz polícia

Enquanto os garotos saíram, o professor abusou de Kauan. Segundo os relatos, o menino sangrou e desmaiou. Quando os outros chegaram, o professor obrigou os quatro adolescentes a estuprarem a criança.

Para a Polícia Civil, Kauan morreu enquanto era estuprado pelo professor, que depois dos abusos forçou os adolescentes a ficarem na casa, esquartejou o corpo e o colocou em um saco preto no porta-malas de seu carro.

Ainda na versão dos adolescentes, o professor foi até o Rio Anhanduí, colocou o saco preto sobre uma pedra, voltou para o carro e levou cada um dos garotos para casa. A partir daí, os meninos afirmam não saber mais o que aconteceu.

Outro esquartejamento

Segundo os delegados da Delegacia de Proteção à Criança (Depca) e da Delegacia de Atendimento à Infância e à Juventude (Deaij), as investigações indicam que após deixar os adolescentes em casa o professor teria voltado ao local, pegado o saco preto e ido para a residência dele.

No imóvel, o homem teria seguido a um cômodo que fica nos fundos e lá esquartejado mais uma vez as partes do corpo de Kauan.

Perícia com luminol no local indicou grande quantidade de sangue de duas pessoas do sexo masculino. Um deles é parcialmente compatível com o da mãe de Kauan. O resultado, porém, é inconclusivo, porque não havia nenhum um objeto na casa do menino que tivesse sido utilizado apenas por ele para que a perícia pudesse ser feita.

Buscas pelo corpo do menino foram feitas vários dias no rio Anhanduí.

Indiciamento

O inquérito sobre o caso ainda não foi concluído. A polícia ainda espera que os exames e laudos periciais sejam mais conclusivos. O professor deverá ser indiciado por estupro de vulnerável seguido de morte, corrupção de menores e ocultação de cadáver.

Delegados durante entrevista coletiva sobre o caso Kauan nesta sexta-feira, em Campo Grande (Foto: Marcos Ribeiro/ G1 MS)

Delegados durante entrevista coletiva sobre o caso Kauan nesta sexta-feira, em Campo Grande (Foto: Marcos Ribeiro/ G1 MS)

Vereadora chama homossexuais de abominação

Uma vereadora da cidade de Rio Brilhante, próximo de Campo Grande, chamou homossexuais de abominação durante um discurso.

Um vídeo postado no YouTube na última quarta-feira (23), mostra Juraci Souza Silva, do PSC, usando a Bíblia para justificar as frases homofóbicas.

“Não sou contra as pessoas que se utilizam dessa prática. Eu sou contra aquilo que a bíblia me refere, como palavra de Deus”, disse ela ao se posicionar contra o “Dia Municipal de Combate a Homofobia”.

Juraci está no sexto mandato e também usou o clichê “tenho até amigos do grupo” para dizer que não tem nada contra gays, mas que a Bíblia condena homossexuais.

Como não poderia deixar de ser durante um discurso conservador religioso, a vereadora ainda disse que pessoas LGBT são influências ruim para as crianças.

Chechênia acusa LGBT+ de terrorismo para que eles não consigam deixar o país

Apesar das declarações de Ramzan Kadyrov, presidente da Chechênia, de que não há homossexuais no país e que, se houvesse, eles estariam livres para deixar o país, o governo tem acusado LGBT+ de terrorismo para que eles não saiam de lá.

De acordo com o site Crime Russia, as autoridades estariam procurando as famílias dos homossexuais e exigindo que eles escrevam declarações sobre um fuga para a Síria. Com o documento eles acusam pessoas LGBT+ de defenderem o Estado Islâmico.

Denúncias de campos de concentração na Chechênia começaram a aparecer na imprensa no primeiro semestre deste ano. A forte pressão internacional fez com que Putin instaurasse uma investigação no país, mas até o momento, nenhuma ação efetiva foi tomada para impedir a perseguição.

Polícia conclui inquérito sobre professora agredida dentro de escola em SC

Professora agredida Santa Catarina (Foto: Reprodução/TV Globo)

A Polícia Civil concluiu na tarde desta quinta-feira (24) e encaminhou à Justiça o inquérito sobre a agressão à professora Marcia Friggi, de 51 anos. O adolescente de 15 anos deverá responder por lesões corporais. Caso ocorreu na segunda (21) em Indaial, no Vale do Itajaí.

Na segunda, a professora registrou boletim de ocorrência (B.O.), afirmando que foi agredida por um aluno, inclusive com soco, pela manhã. Segundo ela, o caso ocorreu na sala da direção de uma escola de Indaial depois que ela chamou a atenção do estudante.

Mais depoimentos

O delegado responsável pelo caso, José Klock, afirmou que foram ouvidas na tarde desta quinta a diretora e secretária que estavam na sala da direção na hora. “Basicamente, confirmam as agressões conforme havia sido dito pela vítima”, disse o delegado.

De acordo com José Klock, o adolescente pode ter que prestar uma medida socioeducativa, como a prestação de um serviço, ou ser apreendido e internado por alguns meses.

A Prefeitura de Indaial afirmou em nota que, após encontro entre a Secretaria de Educação de Indaial e o Ministério Público de Santa Catarina, foi decidido que o aluno será suspenso até a definição do processo.

O adolescente prestou depoimento na quarta (23). “Disse que primeiramente foi ofendido pela professora, a situação foi se agravando, ele perdeu a cabeça e acabou batendo na professora”, relatou o delegado. “Se mostrou arrependido, teria não-feito se tivesse pensado um pouquinho mais. Disse que foi um ato impensado, de pura emoção”, continuou José Klock.

‘Soco violento’

À NSC TV, a professora, que dá aulas de português em uma escola municipal de Indaial deu detalhes da agressão sofrida. “Foi um soco violento. Um menino de 15 anos, alto, forte, um homem. Eu sou uma mulher pequena, uma mulher de 1,65 metro”, contou.

“Lembro de ter caído contra a parede porque foi violento o soco que ele me deu. Cortou o supercílio, estou com um olho completamente inchado agora, está saindo pus”.

Discussão por livro

A agressão ocorreu por volta das 10h20 desta segunda-feira, de acordo com o B.O. A professora disse à polícia que chamou a atenção do aluno por ele estar com o livro debaixo da mesa e, com o objetivo de fazê-lo focar mais na aula, pediu que ele colocasse a publicação em cima da mesa. Em seguida, o estudante ficou alterado e disse para a professora “se f…”.

Diante disso, segundo o B.O., ela pediu que o aluno fosse para a sala da direção. Antes de ir, ele jogou o livro em direção a ela, na frente dos demais estudantes. Ao chegar à direção, o adolescente negou o ocorrido, exaltou-se e chamou a professora de mentirosa. Em seguida, deu socos nela, o que causou uma lesão no olho.

Rapaz é estuprado por motorista em MG e diz ter ouvido: ‘Você salvou uma mulher’

Na manhã deste último domingo [20], durante minha caminhada matinal, eu, Mateus, homem cis, 23 anos, fui vítima de um estupro”, escreveu o estudante de biologia de 23 anos, Mateus Henrique da Silva, logo na abertura do depoimento que publicou em rede social horas depois de se tornar mais uma vítima de violência sexual em Uberaba. Segundo o jovem, após o estupro, ele ainda ouviu do agressor: “Você salvou uma mulher”. Até esta publicação, o criminoso não havia sido localizado.

O crime foi registrado pela Polícia Militar. A Polícia Civil informou nesta segunda-feira (21) que a abertura de inquérito sobre o caso ainda depende de uma representação formalizada pela vítima. Até esta terça-feira (22), a Polícia Civil declarou, por meio da assessoria de imprensa, que não recebu essa representação, mas contatou o jovem para esclarecê-lo sobre essa necessidade. Ele tem um prazo de seis meses para comparecer à delegacia.

Segundo o boletim de ocorrência, o jovem foi encontrado por volta das 12h deste domingo pela PM, após o recebimento de uma denúncia anônima sobre a existência de uma pessoa ferida, com mãos e pés amarrados, às margens de uma estrada do Bairro Jardim Eldorado.

No local, a polícia viu Mateus, de calça e sem camisa, cheio de arranhões pelo corpo e pedaços de galhos secos no lóbulo da orelha esquerda. “Deparamos com o senhor Mateus sentado na beira da estrada bastante abalado psicologicamente”, descreveu a PM no boletim.

No hospital, onde o estudante recebeu os primeiros socorros, a médica plantonista constatou a violência sexual sofrida, informou a polícia. De seu corpo, relatou Mateus ao G1 nesta segunda-feira, foram retiradas pedras, apenas um dos meios utilizados pelo agressor no que o jovem qualifica como tortura.

Matheus publicou neste domingo (20), em página de rede social, um desabafo contando os momentos de horror que viveu horas antes em Uberaba (Foto: Reprodução/Facebook/Mateus Henrique)

Matheus publicou neste domingo (20), em página de rede social, um desabafo contando os momentos de horror que viveu horas antes em Uberaba (Foto: Reprodução/Facebook/Mateus Henrique)

Momentos de horror

Mateus conta que, enquanto fazia uma caminhada matinal neste domingo, um homem estacionou de caminhonete ao seu lado e apontou uma arma para seu rosto. Obrigado a entrar no veículo, o jovem conta ter sido levado para um matagal, onde teve as mãos e os pés amarrados. Paus, arame e pedras teriam sido usados durante o abuso.

“A intenção dele era pegar gente dessa idade, entre 19 e 25 anos, independente de ser homem ou mulher. Ele me disse que essa juventude está corrompida e que, provavelmente, se fosse mulher, a mataria depois”, relatou Mateus sobre o que ouviu do agressor, que ainda o “parabenizou” por ter “salvado” uma mulher.

Após ser abandonado à beira da estrada, Mateus disse ter sofrido outra violência, a da indiferença. Pelo menos 20 pessoas teriam passado por ele e se negado a prestar socorro antes que um mototaxista tivesse se disposto a chamar a polícia. Mesmo assim, o jovem conta ter sido abandonado à própria sorte depois que a PM atendeu o telefonema.

“Eu já estava surpreso e chocado com tamanha crueldade e, quando achei que ia acabar o pesadelo, ele continuou. Andei 15 minutos amarrado e amordaçado e as pessoas não me ajudavam. Eu pensei que iam me bater e um chegou a rir de mim. Eu entendo que as pessoas pensaram que eu fosse assaltante ou drogado, mas foi horrível a omissão de socorro”, desabafou. Ele diz que também teve que lidar com os despreparo dos policiais, que teriam tratado o caso, inicialmente, como um assalto.

Recuperando-se dos ferimentos em casa, Mateus conta estar à base de medicamentos para tentar manter a calma, enquanto aguarda o início das investigações que podem localizar seu agressor. O depoimento na internet, segundo ele, denuncia não só a violência que enfrentou, mas a de muitas mulheres no Brasil.

“O que me motivou a postar foi o que eu senti depois. Eu não tinha sentido. A vida é muito difícil e, quando acontece uma coisa tão absurda quanto essa, você fica sem ter para onde ir. Uma sensação horrível”, disse.

“Eu só pensava em todas as mulheres que estão desaparecidas. Eu só conseguia imaginar que, nesse momento tão horrível, seria muito pior se fosse com uma mulher e, mesmo revoltado, pude ver o quanto o mundo é machista até nas piores ocasiões”, falou Mateus.

Em postagem publicada na internet neste domingo (20), jovem falou sobre o sentimento de vergonha diante da violência sofrida (Foto: Reprodução/Facebook/Mateus Henrique)Em postagem publicada na internet neste domingo (20), jovem falou sobre o sentimento de vergonha diante da violência sofrida (Foto: Reprodução/Facebook/Mateus Henrique)

Em postagem publicada na internet neste domingo (20), jovem falou sobre o sentimento de vergonha diante da violência sofrida (Foto: Reprodução/Facebook/Mateus Henrique)

Desabafo e apoio

Nas redes sociais, a postagem feita por Mateus sobre o caso já havia sido compartilhado por mais de 300 pessoas e recebido dezenas de comentários até a tarde desta segunda-feira.

“Sempre achei brega as pessoas que usam o facebook como diário. Porém, numa sociedade tão cretina como a nossa, é importante reafirmar que estupro existe e não é mimimi”, escreveu o jovem na postagem. “Acreditem: eu escrevo esse texto com muita dor, relutância, vergonha e absolutamente nenhum orgulho. Debati comigo mesmo várias vezes se isso realmente ia servir de alguma coisa e pode ser que eu me arrependa.”

No retorno dos leitores do desabafo, Mateus diz ter encontrado esperança. “O que mais me surpreendeu depois da postagem foi que, para cada uma dessas 20 pessoas que não me ajudaram, existe o dobro de comentários positivos e de esperança para mim. Me faz pensar que a sociedade tem sim uma esperança e que existem pessoas boas no mundo”, observou.

Em uma das mensagens postadas para o mineiro, um internauta usou o marcador “a culpa não é da vítima” para manifestar solidariedade.

“Me senti abusada também. Logo você que não merece um pingo disso tudo. Espero que seus amigos o amparem e possam lutar com você para fazer Justiça e tentar, pelo menos, mudar 1% dessa parte nojenta da sociedade. #AculpaNUNCAédavitima.”

“Não foi exposição seu relato e sim um ato solidário de, mesmo estando sofrendo de modo imensurável, relatar o que houve para contribuir com nossa sociedade tão omissa e agressora”, escreveu outra pessoa.

Após desabafo na internet sobre estupro, jovem de Uberaba recebeu apoio de internautas (Foto: Reprodução/Facebook/Mateus Herinque)Após desabafo na internet sobre estupro, jovem de Uberaba recebeu apoio de internautas (Foto: Reprodução/Facebook/Mateus Herinque)

Após desabafo na internet sobre estupro, jovem de Uberaba recebeu apoio de internautas (Foto: Reprodução/Facebook/Mateus Herinque)